Histórico
O Diário de Polydoro foi escrito ao menos por duas pessoas da família: o próprio Polydoro, que redigiu o documento entre 1872 e 1916, ano que, em 2 de novembro, veio a falecer em Florianópolis (SC), e um(a) outro(a) integrante da família que continuou a redigir o diário, mantendo a mesma estrutura, fazendo as mesmas anotações, inclusive o valor que as companhias eventualmente ficaram devendo à família, até o ano de 1921.
O outro diário, o caderno de recortes, em sua primeira página, o registro de Guapyaba Polidoro, de 14 de julho de 1952, em que atesta ter reformado a coleção “com o fim único de melhorar e proteger melhor estes recortes de jornal”. Na sequência, há um termo manuscrito e assinado por dois dos filhos de Polydoro, Arnaldo e José Polydoro Filho, atestando a importância daqueles documentos para a família e relatando que os dois diários foram entregues a eles em 1946 pela irmã Adelita, após a sua morte, e que ambos transferiram a posse do documento a Guapyaba Polydoro, filho de Arnaldo. O registro data de 12 de janeiro de 1953. Tempos depois, este o transferiu para seu irmão Canaguary Polydoro, avô de Enzo Polydoro Ninzolli que foi quem trouxe o documento para o Centro de Memória do Circo..
O Diário de Polydoro também esteve nas mãos do pioneiro pesquisador do circo, Júlio Amaral de Oliveira na segunda metade do século XX, de modo que este serviu de fonte primária para suas pesquisas. Júlio Amaral de Oliveira passou a mencioná-lo em entrevistas e depoimentos com grande respeito histórico. Isso fez com que fosse denominado posteriormente como “a certidão de nascimento do circo brasileiro”. Amaral afirma não ter encontrado vestígios de um mestre de Polydoro, o que o torna o pioneiro na história dos palhaços brasileiros. Alice Viveiros de Castro, autora do livro O elogio da bobagem (2005), afirma nas páginas dedicadas a Polydoro, que o seu “detalhadíssimo diário” estava “misteriosamente desaparecido”. Por isso quando Ezo Polydoro Ninzolli se apresentou a Verônica Tamaoki, a primeira coisa que ela lhe perguntou foi se ele tinha notícias do famoso diário do seu tataravô. Enzo lhe respondeu que se fosse o que ele estava pensando, o diário estava na casa em que ele morava com o avô. Uma visita à família confirmou que o diário estava sob sua guarda. E o melhor: a família demonstrou interesse em passar o documento para a guarda do CMC.
Em 10 de dezembro de 2014, Dia do Palhaço, acompanhado por sua avó Eva Rivaroli Polydoro, Enzo transferiu a posse do precioso diário para o CMC, representado então por Roger Avanzi, o palhaço Picolino.
Em 2020 houve uma nova doação de Enzo Polydoro, incluindo acervo fotográfico digitalizado da família, além de documentos referentes à história do circo brasileiro. No mesmo ano, o CMC publicou o Diário de Polydoro em edição fac-similar, acompanhado de histórico, análises e artigos assinados pelos pesquisadores Alice Viveiros de Castro, Ermínia Silva, Mário Fernando Bolognesi e Walter de Sousa, em projeto coordenado por Verônica Tamaoki. A publicação é resultado da pesquisa mais completa realizada sobre uma família circense dentro do acervo do CMC, pois foram reconstituídos a linha do tempo, a genealogia da família e os itinerários percorridos pelo palhaço com os inúmeros circos em que atuou.