Histórico
A presença de uma série de cartões com imagem de artistas do final do século XIX e início do seguinte, assim como um certo equilíbrio na quantidade de fotografias dos filhos de Otília e Ferdinando - Henrique, clown; Paulo, o palhaço Aleluia; Waldemar, o palhaço Arrelia; Eurico, o palhaço Siri, Olinda e Emma, - indicam que a coleção provavelmente começou a ser constituída pelo casal, e, num segundo tempo, pela sua neta, Dayse, que reuniu principalmente o que a imprensa publicou sobre seu tio Waldemar. A impressão que se tem é que Dayse fez um apanhado dos documentos que possuía sobre a vida circense de sua família e entregou a Verônica Tamaoki, em 2008, que na época realizava a pesquisa “Largo do Paissandu, onde o circo se encontra” e, na sequência coordenaria a criação do CMC.
Em 29 de março de 2012, foi registrado depoimento de Dayse, juntamente com Waldemar Seyssel Filho e Victória Argentina Nelson, sobre a trajetória da família Foi feito reconhecimento de fotos que integram a coleção, identificado lugares, datas, pessoas e famílias presentes. Ainda em 2012, a coleção subsidiou a exposição de caráter permanente do CMC, Hoje tem espetáculo, onde encontra-se exposto o boneco miniatura do palhaço Arrelia.
Em 2017, na ocasião do lançamento do livro Centro de Memória do Circo, a instituição recebeu de Amélia Seyssel, que foi casada com Walter Seyssel, o palhaço Pimentinha (1926-1992), terceira geração da família, um cartaz, em tecido, do Circo Alcibíades, no ano de 1928, anunciando o milésimo espetáculo de sua exitosa temporada no Largo do Paissandu, entre 1925 e 1929.
No início da década de 2020, a coleção Família Seyssel foi uma das fontes da pesquisa realizada por Aira Bonfim sobre o futebol feminino no Brasil. Constatou-se que as primeiras exibições de partidas femininas no país aconteceram nos picadeiros de muitos dos circos que circulavam pelo país.
Em 2022 parte do acervo iconográfico foi reproduzido na Exposição Itinerante “O circo modernista”, que contextualizou a influência circense no projeto modernista brasileiro a partir das famílias em atividades nas primeiras décadas do século XX, e que formaram verdadeiras dinastias de palhaços, como a da família Seyssel.
Em 2023 começou a ser realizado o processo de reconhecimento e classificação final dos níveis de acesso da coleção; assim como a descrição, contextualização histórica e catalogação.
Referências
Bibliográficas
AVANZI, Roger e TAMAOKI, Verônica. Circo Nerino. São Paulo: Pindorama Circus, 2004.
CASTRO, Alice Viveiros de. O Elogio da Bobagem – palhaços no Brasil e no mundo. Rio de Janeiro: Ed. Família Bastos, 2005.
OLIVEIRA, Júlio Amaral de. Circo. São Paulo: Prêmio, 1990.
RUIZ, Roberto. “Seyssel, Saval e outros nomes” in Hoje Tem Espetáculo? As origens do circo no Brasil. Rio de Janeiro: INACEN, 1987. p. 75 – 86.
SEYSSEL, Waldemar. Arrelia e o Circo – Memórias de Waldemar Seyssel. São Paulo: Ed. Melhoramentos. 1977.
SEYSSEL, Waldemar. Arrelia - Uma autobiografia. São Paulo: Ibrasa, 1997.
TAMAOKI, Verônica. Centro de Memória do Circo. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 2017.
TAMAOKI, Verônica (org.). O Diário de Polydoro. São Paulo: Centro de Memória do Circo, 2020.
TAMAOKI, Verônica. O fantasma do circo. São Paulo: M. Ohno, R. Breviglieri Editores, 2000.
Discografia
ARRELIA. Que coisa (Arrelia/José Saccomani/Gaúcho); O que é, o que é (Gaúcho/Morais / Arrelia). Gravadora Copacabana, 1958.
ARRELIA. Valsa de aniversário (Canção de aniversário) (Arrelia/Hervé Cordovil); O dia da vovó (Arrelia/José Saccomani). Gravadora Copacabana, 1958.
ARRELIA. Só dando com uma pedra nela (Lamartine Babo); A. E. I. O. U. (Lamartine Babo/Noel Rosa). Gravadora Copacabana, 1958.
ARRELIA. Cacho de banana (Arrelia / José Saccomani/Ercilio Consoni); Ride palhaço (Lamartine Babo). Gravadora Copacabana, 1958.
ARRELIA. Hom'essa (Arrelia/José Saccomani); Viagem à lua (Alda Ribeiro). Gravadora Copacabana, 1958.
ARRELIA. Hom'essa (Arrelia/José Saccomani); Cacho de banana (Arrelia/José Saccomani/Ercilio Consoni). Gravadora Copacabana, 1958.
ARRELIA. Iaiá Boneca (Hervé Cordovil/Ivany Soares); E a família, como vai (José Saccomani/Arrelia). Gravadora Copacabana, 1959.
ARRELIA. Vai pra casa (José Saccomani/Jorge Martins); Pra macaco vigiar (Klécius Caldas / Armando Cavalcanti). Gravadora Copacabana, 1959.
ARRELIA. Mustafá (Arrelia/Léo Romano/Gaúcho); Tá louco seu (Léo Romano/Arrelia/José Saccomani). Gravadora Copacabana, 1960.
ARRELIA. Louco por tuba (Arrelia/Irvando Luis/Hervé Cordovil); Valsa de aniversário (Canção de aniversário) (Arrelia/Hervé Cordovil). Gravadora Copacabana, 1960.
ARRELIA. Esse cara me deve bem (Arrelia/José Saccomani/Emílio Saccomani); Três assovios (Hervé Cordovil/Arrelia). Gravadora Copacabana, 1961.
ARRELIA. De touca e chupeta (Hélio Sindô/José Saccomani/Pimentinha); Fantasia de toalha (Arrelia/José Saccomani/Ercilio Consoni). Gravadora Copacabana, 1963.
ARRELIA. Galo de ouro (Arrelia/Emílio Saccomani/Gaúcho); Quem foi (Arrelia/Pimentinha/Zezinho). Gravadora Copacabana, 1963.
ARRELIA. Fiquitinho (José Saccomani/Pimentinha/Emílio); Pára o mundo aí (José Saccomani/Arrelia/Chaguinha). Gravadora Copacabana, 1964.
ARRELIA E ALTAMIRO CARRILHO. Ride palhaço - As músicas de Lamartine Babo. Gravadora Copacabana, LP, 1957.
PIMENTINHA. Só na solidão (Pimentinha/Rubinho/Luis Mariozzi); Lágrimas de palhaço (Alvarenga/Ranchinho II). Gravadora Copacabana, 1962.
Filmografia
CARNAVAL EM LÁ MAIOR. Direção de Gonzaga, Adhemar. Produção: Audrá Jr., Mário. Roteiro: Gonzaga, Adhemar; Moles, Osvaldo. São Paulo-SP: U.C.B. - União Cinematográfica Brasileira S.A, 1955. 35mm, BP, 90min.
DESTINO EM APUROS. Direção de Remani, Ernesto. Produção: Civelli, Mario. Roteiro: Maret, Jacques. São Paulo-SP: Multifilmes S.A., 1953. 35mm, COR, 90min.
NA CORDA BAMBA. Direção de Ramos, Eurides. Produção: Massaini, Oswaldo. Roteiro: Azevedo, Alinor; Ramos, Eurides. Rio de Janeiro-DF: Cinedistri Produtora e Distribuidora de Filmes do Brasil, 1957. 35mm, BP, 84min.
O BARBEIRO QUE SE VIRA. Direção de Ramos, Eurides. Produção: Massaini, Oswaldo. Roteiro: Lima, Victor. Rio de Janeiro-DF: Cinedistri Produção e Distribuição Audiovisual Ltda, 1957. 35mm, BP.
O HOMEM DOS PAPAGAIOS. Direção de Couto, Armando. Produção: Talamo, Hella; Civelli, Patrícia Roteiro: Laurelli, Glauco Mirko. São Paulo-SP: Multifilmes S.A., 1953. 35mm, BP, 96min, 2.640m.
O PALHAÇO ATORMENTADO. Direção de Falco Filho, Rafael. Produção: Falco Filho, Rafael. Roteiro: não informado. São Paulo-SP: Rossi Filmes, 1946. 35mm, BP, 73min. PLUFT, O FANTASMINHA. Direção de Lesage, Romain. Produção: Secondi, Pedro. Roteiro: Lesage, Romain. Rio de Janeiro-DF: Cinecastro Estúdios e Laboratórios Ltda, 1962. 35mm, COR, 95min.
SEYSSEL, Waldemar. Waldemar Seyssel - Palhaço Arrelia. [Entrevista concedida ao] Museu da TV. São Paulo, 12 set. 1998. Disponível em: