A Coleção Família Pinto é constituída por três seções que possuem o nome de seus doadores. São elas: Ayelson Garcia (neto de Piolin), Adua D’Angelo (irmã de Tony D`Angelo, empresário e parceiro de Piolin) e MASP (Museu de Arte de São Paulo).
A Seção Ayelson Garcia é uma coleção familiar com documentos predominantemente iconográficos, que passaram por três gerações de artistas: do casal Galdino Pinto (1870-1945) e Clotilde Farnezi (1879-1948), do filho mais notável do casal, o palhaço Abelardo Pinto Piolin (1897-1973), e de sua filha Ayola Pinto (1922-2001) e seu marido Nelson Garcia (1921-2009), o palhaço ciclista Figurinha. O destaque da seção é o conjunto de fotografias de Piolin e a mini-bicicleta de Figurinha.
A Seção Adua D`Angelo é composta por um conjunto que inclui sapatos, colarinho e nariz de palhaço usado por Piolin em meados da década de 1960, quando atuava com o irmão de Ádua, o palhaço e empresário Tony D`Angelo (1931-2006).
A Seção MASP é constituída por outros dois conjuntos de roupas de palhaço, e aparelhos usados por Piolin, incluindo a bengala que o acompanhou por mais de 50 anos, doadas pelo palhaço, que estiveram de 1972 a 2015 no acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde receberam tratamento museológico similar ao dedicado às valiosas obras presentes no acervo do mesmo museu, e que, em 2015 foi transferida ao CMC.
Atualmente, a coleção, depois de passar por procedimentos de preservação, conservação e pesquisa, encontra-se:
-higienizada;
-acondicionada;
-parcialmente catalogada;
-parcialmente digitalizados;
-pesquisa em andamento;
-disponível para consulta presencial a partir dos procedimentos internos do CMC (link).
A coleção soma 905 documentos, sendo que a maior parte deles se encontra na seção Ayelson Garcia. Esta seção conta com um grande volume de registros fotográficos (cenas circenses e familiares), documentos pessoais de vários familiares (Abelardo, os filhos Aylor e Ayola, e o genro Nelson Garcia), troféus e placas condecorativas, além de aparelhos de palhaço, entre eles o monociclo alto e a mini-bicicleta do Palhaço Figurinha, presença marcante na coleção também por meio dos cartões lembranças. Há também uma pertinente hemeroteca, com jornais do período da velhice de Piolin, alguns registros do palhaço Figurinha e reportagens sobre o piloto acrobático Aylor.
A seção Adua D’Angelo inclui alguns figurinos e adereços usados por Piolin no período em que atuou com o também palhaço Tony D’Angelo, que o empresariou por alguns anos.
A seção MASP inclui mala, adereços e aparelhos, maquiagem e dois conjuntos de figurino do palhaço Piolin. O primeiro é constituído de calça e casaca vermelhas, camisa branca com colarinho de palhaço, gravata borboleta e chapéu. O segundo é um vestido adamascado acompanhado de casquete de penas, usado na entrada circense Idílio dos Sabiás, em que Piolin se travestia de mulher. A seção inclui também os sapatos de palhaço que Piolin usou por mais de 20 anos e sua famosa bengala que o acompanhou por quase toda sua carreira.
A Seção Ayelson Garcia reúne documentos referentes a três gerações de artistas da família Pinto, principalmente de Abelardo Pinto Piolin, notável artista não só da família como da própria história do circo brasileiro. Os documentos foram decerto reunidos, num primeiro momento, pelo casal Clotilde Farnezi e Galdino Pinto, primeira geração circense da família; depois por Abelardo Pinto Piolin, e, na sequência pela terceira geração circense da família Ayola Pinto e seu marido Nelson Garcia, o palhaço Figurinha. Os conjuntos documentais individuais, foram se juntando, ao que tudo indica, após o falecimento de seus titulares. Em 2009, com a morte de Nelson Garcia, a coleção ficou sob a guarda do filho Ayelson Garcia que residia então com o pai. Foi ele que fez chegar a coleção ao CMC, no ano seguinte, em 2010. Em 2018 o mesmo titular realizou nova doação de 345 documentos, entre eles a certidão de nascimento de Abelardo Pinto Piolin.
No CMC a seção colaborou em diversas pesquisas. A mini-bicicleta de Figurinha e as fotos de Piolin integram a exposição permanente Hoje tem espetáculo!.
Seção Ádua D’Ângelo
Compreende o período da carreira de Piolin que se situa após 1962, quando, já sem o seu circo, o palhaço atuou em outros circos, eventos, tendo como parceiro o clown Toni D´Angelo, que também era empresário da dupla, e que foi quem guardou as roupas usadas por Piolin, que acabaram por chegar a sua irmã, Adua D´Angelo, após o seu falecimento. Tempos depois, em 2011, Adua, ao saber da existência do Centro de Memória do Circo, procurou a instituição para fazer a doação da coleção. Hoje, os documentos encontram-se na exposição permanente do CMC, e fizeram também parte da exposição Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil (2022), no SESC 24 de maio, em São Paulo.
Seção MASP
Os documentos que compõem a coleção - figurinos, adereços, assobios e traquitanas de palhaço, etc.. - foram doados pelo próprio Piolin, em 1972, ao diretor e fundador do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Bardi, após a temporada do Circo Piolin, em 1972, no famoso vão livre do MASP, como atração da exposição ali realizada em comemoração ao cinquentenário da Semana de Arte Moderna. A data se reveste de importância histórica ainda por ter sido também naquele mesmo ano o decreto do governo do Estado de São Paulo, instituindo o Dia do Circo em 27 de março, data de nascimento de Abelardo Pinto (1897), comemorada pelos modernistas paulistas em 1929 quando, sob a liderança de Oswald de Andrade, realizou-se um banquete antropofágico, cujo prato principal era o próprio Piolin - de maneira simbólica, é claro!
A instalação do circo no vão do MASP foi projetada pela arquiteta do museu, Lina Bo Bardi. Em declaração à imprensa, Pietro afirmou que fizera questão da presença de Piolin por considerá-lo o mais nativo e justo artista do movimento modernista. A impressão que se tem é que, finda a temporada, Bardi pediu a Piolin que doasse ao museu os seus trajes, incluindo a enorme bengala que o acompanhou por mais de 50 anos. A impressão que se tem é que, finda a temporada, Bardi pediu a Piolin que deixasse no museu sua mala, onde encontravam-se seus pertences de palhaço. Não se sabe se Piolin atendeu prontamente o pedido de Bardi ou se os seus pertences chegaram ao MASP após sua morte, que veio a acontecer no ano seguinte, em 1973. O que de uma certa maneira explica a lenda de que Piolin deixou seus pertences de palhaço para o MASP em testamento (o que até hoje não foi comprovado). Mas voltemos a Bardi. Ao abrigar os figurinos de um palhaço na reserva técnica de um dos mais importantes museus do mundo, ele, habilidoso como um malabarista que estamos acostumados a ver hoje em dia nos semáforos das grandes cidades, lançou em direção ao futuro uma clava contendo a idéia da criação de uma museologia própria para o circo. Em 2009, o CMC, no ano em que abria as portas para o sempre respeitável público, apanhou no ar essa clava. Não deixar ela cair e passá-la para o maior número de pessoas, eis aí o grande desafio do CMC
Em 2014, o ator e palhaço Caio Franzolin, ao conhecer a coleção, sugeriu ao MASP que a transferisse para o CMC. A ideia foi bem acolhida pela direção do museu e, no ano seguinte, uma comitiva formada por palhaços, atores, músicos e personalidades da cultura foram buscar os pertencentes de Piolin, que se encontravam no MASP, para levá-los de volta para casa, para o CMC, no Largo do Paissandu, onde Polin viveu sua glória.
Em 2022, ano em que se comemorou o centenário da Semana de Arte Moderna, o CMC realizou “Piolin, o Palhaço Modernista”, em que os trajes do palhaço que vieram do MASP foram expostos numa vitrine projetada pelo arquiteto Pedro Mendes da Rocha, que, afirmou na ocasião que os trajes do palhaço estava recebendo o mesmo tratamento que o Museu do Louvre, em Paris, propiciava aos de Luiz XV.
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Circo e História | 27 de Março - Dia do Circo | VAMOS COMER PIOLIN! | Dia do Circo e o Festim Antropofágico
Bibliografia
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Discografia
PIOLIN. Um dia infeliz/Os erros da natureza. Victor, 1929, 78 rpm.
Filmografia
ANGU DE CAROÇO. Direção e roteiro: Ramos, Eurides. Produção: Ramos, Alípio. Elenco: Ankito. Cinelândia Filmes, 1954, P&B, 1h30.
BEIJO 2348/72. Direção:Rogério, Walter. Roteiro: Rogério, Walter e Prata, Mário. Elenco: Ankito. 1990, Cor, 1h40.
BRÁS CUBAS. Direção, roteiro e produção: Bressane, Julio. Elenco: Ankito. 1985, Cor, 1h32.
DE PERNAS PRO AR! Direção e roteiro: Lima, Vitor. Produção: Richers, Herbert. Elenco: Ankito. Cinedistri, 1958, P&B, 1h22.
É DE CHUÁ! Direção e roteiro: Lima, Vitor. Produção: Richers, Herbert e Massaini, Oswaldo. Elenco: Ankito. Cinedritri, 1957, P&B, 1h40.
É FOGO NA ROUPA. Direção e produção: Macedo, Watson. Roteiro: Cajado Filho, José; Azevedo, Alinor. Elenco: Ankito. Unidas Filmes, 1952, P&B, 1h25.
E O BICHO NÃO DEU. Direção e roteiro: Tanko, J. B.. Produção: Richers, Herbert. Elenco: Ankito. Herbert Richers Produções Cinematográficas, 1958, P&B, 1h40.
GAROTA ENXUTA. Direção: Tanko, J. B. Produção: Richers, Herbert. Roteiro: Tanlo, J. B. e Anísio, Chico. Elenco: Ankito. Herbert Richers Produções Cinematográficas, 1959, P&B, 1h42.
LADRÃO DE BAGDÁ, O MAGNÍFICO. Direção, roteiro e produção: Lima, Vitor. Elenco: Ankito. Embrafilme, 1975, Cor, 1h23.
METIDO A BACANA. Direção: Tanko, J. B.. Produção: Massaini, Oswaldo e Richers, Herbert. Roteiro: Lima, Vitor e Tanko, J.B..Elenco: Ankito. Cinedistri, 1957, P&B, 1h31.
O ESCORPIÃO ESCARLATE. Direção: Cardoso, Ivan. Roteiro: Lucchetti, Rubens Francisco. Elenco: Ankito. Sagres Filmes, 1993, Cor, 1h30.
O FEIJÃO É O NOSSO. Direção e roteiro: Lima, Vitor. Produção: Ramos, Alípio. Elenco: Ankito. Cinelândia Filmes, 1956, P&B, 1h30.
O GRANDE PINTOR. Direção e roteiro: Lima, Vitor. Produção: Ramos, Alípio. Elenco: Ankito. Cinelândia Filmes, 1955, P&B, 1h35.
O PEQUENO POLEGAR CONTRA O DRAGÃO VERMELHO. Direção e roteiro: Lima, Vitor. Elenco: Ankito. Nel-Som, 1980, Cor, 1h18.
O REI DO MOVIMENTO. Direção: Lima, Vitor. Roteiro: Lima, Vitor e Ramos, Alípio. Produção: Massaini, Oswaldo e Ramos, Alípio. Elenco: Ankito. Cinelândia Filmes, 1955, P&B, 1h26.
OS TRÊS CANGACEIROS. Direção: Lima, Vitor. Produção: Richers, Herbert. Elenco: Ankito. Herbert Richers Produções Cinematográficas, 1962, P&B, 1h42.
OS TRÊS RECRUTAS. Direção: Ramos, Eurides. Produção: Ramos, Alipio. Roteiro: Tanko, J. B.. Elenco: Ankito. Atlântida Cinematográfica, 1953, P&B, 1h30.
PÉ NA TÁBUA. Direção: Lima, Vitor. Produção: Richers, Herbert. Roteiro: Lima, Vitor e Anísio, Chico. Elenco: Ankito. Herbert Richer Produções Cinematográficas, 1957, P&B, 1h27.
PISTOLEIRO BOSSA NOVA. Direção e roteiro: Lima, Vitor. Produção: Richers, Herbert e Lima, Vitor. Elenco: Ankito. Herbert Richers Produções Cinematográficas, 1960, P&B, 1h42.
QUEM ROUBOU MEU SAMBA. Direção e roteiro: Burle, José Carlos. Produção: Ramos, Alipio e Massaini, Oswaldo. Elenco: Ankito. Cinedistri, 1959, P& B, 1h22.
SAI DESSA, RECRUTA. Direção: Barrozo Netto, Hélio. Produção: Massini. Oswaldo. Roteiro: Ramos, Alípio. Elenco: Ankito. Cinedistri, 1960, P&B, 1h27.
TICO-TICO NO FUBÁ. Direção: Celi, Adolfo. Elenco: Piolin. Vera Cruz, 1952, P&B, 1h55.
UM CANDANGO NA BELACAP. Direção e roteiro: Farias, Roberto. Elenco: Ankito. Herbert Richers Produções Cinematográficas, 1961, P&B, 1h42.
UM SONHO DE VAMPIROS. Direção e roteiro: Cavalcanti, Iberê. Elenco: Ankito. Servicine Serviços Cinematográficos, 1969, Cor, 1h20.
VAI QUE É MOLE. Direção: Tanko, J. B.. Produção: Richers, Herbert. Roteiro: Tanko, J. B. e Alves, Edgar G.. Elenco: Ankito. Herbert Richers Produções Cinematográficas, 1961, P&B, 1h42.