Fu Li Chang nasceu em 21 de julho de 1929 e gostava de fazer truques desde a infância, influenciado pelo pai, que praticava a mágica em casa, para os filhos. Aprendeu a arte do ilusionismo de forma autodidata, lendo livros estrangeiros. Começou a se apresentar para a família, depois, em escolas, e foi se aperfeiçoando até criar seu próprio show, que apresentava em teatros, clubes e circos. Também se apresentou como pirofagista, e trabalhou como camelô vendendo horóscopos. Foi influenciado por amigos ilusionistas, entre eles Maximiliano Rondon, que apresentou-lhe pela primeira vez aparelhos comprados nas grandes lojas de mágica nos EUA.
Aos 18 anos escolhe seu nome artístico, surgido da junção de outros dois nomes: Li Ho Chang (1889-1972), mágico que foi sua referência, e o personagem chinês Fu Manchu, criado pelo escritor britânico Sax Rohmer.
A princípio, Fu Li Chang vestia terno e gravata, depois criou maquiagem e figurino no estilo mandarim, o que proporcionou uma atmosfera particular em seus números. Na década de 1950 visitou o Japão em missão militar, quando tomou contato com os quimonos. Na ocasião trouxe 40 dessas indumentárias que passaram a compor o guarda-roupa de seu personagem.
Na década seguinte se apresentou em vários países: Costa Rica (1962), Nicarágua (1963), Panamá e Peru (1966), Chile (1968) e Bolívia (1969). Até que, em 1970, chegou a São Paulo e se instalou no icônico Hotel Dom José, no Largo do Paissandu, sede do encontro circense conhecido por Café dos Artistas. Lá, conheceu outros mágicos, entre eles Mr. Rokan e Mr. Pascoal Ammirati, além de empresários e artistas de circo. O mágico atuou a princípio em teatros de revistas e em shows em hotéis e clubes. Adaptou seu espetáculo para eventos corporativos e, enfim, aos circos.
Teve como primeira partner no Brasil, Sônia Maria, que conheceu no Circo Hong Kong. Quando não pôde mais acompanhá-lo, apareceu no circo procurando-a, a sua irmã Marta Lúcia. Fu Li Chang a convidou para acompanhá-lo e a nova dupla deu tão certo que acabaram se casando e gerando dois filhos.
Fu Li Chang apresentava um repertório variado. Desde as mágicas de salão, que fazia em eventos diversos, até os números de grandes mágicas e ilusionismo. Criava não só os seus números mas também a maneira como se apresentava. Chegou a vestir quinze quimonos sobrepostos em suas apresentações, e ia retirando-os, de acordo com os truques. Com movimentos precisos e rápidos, encadeava um truque atrás do outro.
Tinha números surpreendentes. Por exemplo, transformava dois balões de borracha em pombas com apenas um toque de sua varinha. Com mais um toque, as mesmas pombas, se transformavam em luvas. As luvas eram, então, jogadas em uma mesa e novamente se transformavam em pombas. Depois, as pombas eram colocadas sobre uma caixa e cobertas com um tecido para, em menos de um segundo, transformarem-se em patos!
O número intitulado “Mulher sem cabeça” foi apresentado de forma fixa, como uma instalação, em parques de diversões. Nele, uma mulher tinha seu corpo separado de sua cabeça, em duas cadeiras diferentes, unidas por um fio transparente por onde o público via percorrer seu sangue. No final de suas apresentações fazia um número com lenços, transformando-os em grandes bandeiras, sempre mostrando a bandeira do país em que se apresentava como homenagem.
Atuou nos circos: Orlando Orfei (1970); Hong Kong (1973); American Circus (1975); Vostok (1976); Sarrasani (1977); Di Roma (1979); D’Itália (1987); Stankowich (1994); Hatary (1997); e novamente Vostok (1998 até 2002). Esteve no Uruguai em 1982 e na Argentina em 1994. Fu Li Chang, o grande mestre chinês de magia, escolheu o Brasil para viver e constituir família e um dos motivos para isso foi encontrar um grande público e empresas de entretenimento dispostas a o contratarem para mostrar os seus truques. Um deles foi ocultar sua verdadeira nacionalidade sob os quimonos e a maquiagem característica do mago mandarim. Tobias Torres Torres, seu verdadeiro nome, era natural de Cocuy, na Colômbia, e dizia ser filho de mãe colombiana e pai chinês. Fu Li Chang faleceu em 18 de julho de 2020.
Fu Li Chang
21/07/1929
18/07/2020