A Federação Circense foi fundada em 1925 no Café dos Artistas, Largo do Paissandu, por iniciativa do Capitão Canuto de Oliveira, seu primeiro presidente (1925-1927) e Hipólito Rocha (presidente em 1927), e atuou até 1938. Seu lema “Unidos Seremos Fortes”, teve como objetivo “congregar todos os artistas, empresários, diretores, secretários, músicos e quaisquer outros auxiliares de circo, com o fim de se beneficiarem mutuamente, elevando a classe, moral e materialmente, e empenhando-se com todas as forças pela maior harmonia entre os seus membros”, conforme seu estatuto.
Na época da sua criação, tinha por objetivo inicial criar um lar e um hospital para amparar o artista na “invalidez, na indigência e nas enfermidades”. Sua estrutura administrativa era ampla em termos de abrangência política e institucional. Além da Diretoria e Conselho Fiscal Consultivo, mantinha Delegacias Gerais em São Paulo e Rio de Janeiro, Delegacias Fixas, mantidas em localidades com mais de dez associados, e Delegacias Ambulantes (circos itinerantes filiados que, na fundação, já eram 51). Participavam da instituição 49 dos estimados 70 circos em atividades no país, companhias espalhadas pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre, Paraíba, Paraná e Rio Grande do Sul, totalizando 1.007 associados. Participaram da entidade todos os mais influentes nomes do circo brasileiro no período: Galdino Pinto, Alcebíades Pereira, Vicente Seyssel, Julio Ozon, Raul Olimecha, Ferdinando Seyssel e Abelardo Pinto. Entre os circos fundadores estavam: Alcibíades, Arethuzza, Chicharrão, Guarany, Queirolo, Stevanowich, Nerino, Olimecha, Savala e Spinelli.
Em 1927, com dois anos de atividades, adquiriu uma chácara de 25 mil metros quadrados, onde seriam instalados o lar e hospital previstos na fundação, localizada no bairro da Saúde, em São Paulo. Há pouca documentação que dê conta da atuação da entidade entre 1928 e 1938, quando foi dissolvida. Na ocasião, sócios e ativos foram absorvidos pela Cruz Azul de São Paulo – instituição criada também em 1925 para salvaguardar a saúde e a educação dos funcionários da Força Pública – incluindo a Chácara Circense, como ficou conhecida a propriedade.