Esther Fernandes é filha do mágico chileno Dossel (Valentim Fernandes Salcedo), conhecido como o “Prestidigitador das Américas”, e da contorcionista também chilena Isabel Maturana. Estercita, nome artístico que adotou, perdeu a mãe muito cedo e foi morar, aos três anos, num colégio interno. Lá ficou até os 18 anos, assim como os irmãos Carlos e Valentim, pois o pai, mágico de fama internacional, viajava muito. Ao retornar ao país, decide resgatar os filhos para transmitir suas habilidades artísticas. A filha, no entanto, aprendeu magia observando, escondida, o pai ensinar os irmãos. Carlos, no entanto, se tornou o palhaço Dengoso, além de empresário, tendo presidido a Associação Brasileiras de Empresas de Diversões (ABED), e Valentim se dedicou à carpintaria. Então o velho Dossel notou que somente a filha tinha a mesma habilidade. Passou a prepará-la para a profissão, ensinando-lhe não só os truques como regras de etiqueta, criando um roteiro para os seus espetáculos.
Estercita se casou com o ator e palhaço Adalberto de Castro Teixeira, o Bady, quando ambos atuavam no Circo Revista Real, dos irmãos Dino e Dedé Santana. O marido, então, passou a empresariá-la. Tiveram dois filhos: Carlos Alberto, o mágico Dossell, e Isabel Cristina, além de adotarem Tommy. Os três se iniciaram na arte da magia com Estercita.
Quando da morte de Bady, aos 47 anos, após 17 anos casados, a própria Estercita passou a gerenciar sua agenda de apresentações. Atuou na caravana de Silvio Santos, se apresentando para grande público sobre a carroceria de um caminhão, assim como atuou na televisão, no Cirquinho do Arrelia (TV Record).
Sua neta Ana Paula, filha de Isabel Cristina, lembra: “Sempre foi uma mulher muito simples e de uma certa ingenuidade. Adquiriu a experiência profissional, o pai montou uma rotina de trabalho e ela começou a se apresentar e a competir. Era extremamente competidora e isso dava um gás para querer mais. Era comum na época ter concursos, que hoje não se vê mais”. Em um desses concursos, obteve a segunda colocação sob incidente que foi registrado no jornal Última Hora, em 27 de setembro de 1957. Dizia a manchete: “Estercita protesta: Sou mágica de verdade. Minhas pernas não influíram na decisão dos juízes”. A reportagem, apesar de partir de um fato banal, o protesto de uma pessoa da plateia da disputa, conta a formação de Estercita e a tradição de sua família na magia. “Minha avó era uma mulher muito bonita, e chamava a atenção, plumas, paetês, maquiagem, ela gostava muito de chegar e arrasar. Foi uma mulher à frente por ter uma profissão masculina, e ela se impôs com coragem de fazer”, afirma a neta Ana Paula.
Estercita atuou nos circos Bartholo, Stankovitch, Tihany, Vostok, entre outros. Foi professora de magia da Academia Piolin de Artes Circenses (1978-1983), a primeira escola de circo do Brasil. Faleceu aos 91 anos em janeiro de 2024.
Estercita (1933-2024)
1933
janeiro de 2024