Quarta geração de mágicos, Carlos Alberto Fernandes Teixeira, o Dossell, é filho de Estercita (Esther Fernandes), também mágica, e do ator e palhaço Bady (Adalberto de Castro Teixeira). Honrou o mesmo nome artístico criado pelo avô materno, Valentim Fernandes Salcedo, o primeiro Dossel, diferenciando-o com uma segunda letra L: Dossell. Aos oito anos, passou a se dedicar à magia após uma apresentação no Liceu Coração de Jesus, em São Paulo, onde estudava. Aos onze anos entrou para um programa infantil da emissora de Silvio Santos (SBT). Atuou por mais de uma década no Gran Bartholo’s Circo, de 1970 a 1980 e, em 1985, foi escolhido o melhor mágico no Congresso Internacional de Mágicos, promovido pela Sociedade Brasileira de Mágicos.
Sua sobrinha Ana Paula Fernandes, lembra: “Aprendeu muito com a mãe, que foi a raiz, mas desenvolveu muitas coisas, era muito original. Ele podia copiar números dos seus ídolos, mas ele criava. Era exibido, charmoso, bonito, vaidoso. Prestava muita atenção nos detalhes. O terno era só dele, fabricação de alfaiate próprio. Nos números, na maneira de se portar em cena, nas músicas que escolhia, tudo tinha uma combinação, não era aleatório”.
Casou-se pela primeira vez aos 16 anos, com Maria Teresa, com quem teve o filho Fábio. Depois casou-se com Mônica, mãe de Daniel e Elisa Marina. Por fim, casou-se com Léa, sua última partner.
Criava seus próprios aparelhos e seus números de ilusão – costumava dizer que a mágica era uma “ilusão verdadeira”, pois era a “ilusão do amor” – e os que testemunharam suas apresentações apontam a Zombie Ball como seu melhor truque, em que uma bola de metal dança na borda de um lenço de seda. Depois de viajar ao Paraguai com uma companhia de teatro de Revista, passou a se apresentar em casas noturnas de São Paulo. Teve uma escola de mágicos, onde formou novas gerações, e manteve um galpão em São Vicente, onde produzia os aparelhos de magia, que chamava Fábrica dos Sonhos.
Em meados de 2005 fundou o Clube dos Magos, também em São Vicente, dedicado à formação de mágicos, como o mesmo citou em uma entrevista para o Jornal Metrópole: “O meu objetivo é passar para os alunos a importância de se praticar a magia [...]”. Promoveu, também, junto à prefeitura de São Vicente diversas oficinas gratuitas com a finalidade de transmitir a arte mágica para o público, principalmente crianças.
Leitor de livros de misticismo, adorava seus cães e cultuava os mágicos do passado, mantendo uma galeria de quadros dos mestres da magia em seu escritório. “Meu tio era um marceneiro nato e até um engenheiro com genialidade para criar as coisas dele. Bebia e fumava, era um homem tão voltado às questões do trabalho que deixou de lado a saúde. Quando descobriu o câncer havia uma pequena possibilidade de tratamento, que ele fez, mas não foi suficiente”, conta Ana Paula. Morreu aos 56 anos, em 2016, em São Vicente.
Dossell (1960-2016)
1960
2016