Por se tratar de uma data comemorativa, cuja origem se vincula ao Largo do Paissandu ─ na histórica temporada ali realizada pelo Circo Alcibíades entre 1925 e 1929, quando os artistas modernistas descobriram o palhaço Piolin e fizeram dele símbolo do seu movimento ─, o Centro de Memória do Circo (CMC) sempre celebrou o Dia do Circo com o propósito de dar visibilidade ao patrimônio cultural do circo existente no Largo do Paissandu, local onde se encontra instalado desde 2009. Mais do que uma programação, o dia 27 de março é para o CMC um dos eixos centrais do seu trabalho, em torno do qual foram realizadas pesquisas, exposições, peças de audiovisual, ciclos de leituras, aquisição e tratamento de acervos, cortejos, espetáculos, danças aéreas, além de diversas outras atividades.
O dia 27 de março sobrepõe comemorações distintas relacionadas à abrangência do CMC. A primeira, é a homenagem ao grande palhaço Piolin, nascido nesse dia em 1897. A segunda, é a exaltação do Festim Antropofágico, evento histórico que representou o encontro de Piolin com os artistas do movimento modernista ─ como Mário, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti ─, quando, em 1929, celebraram o seu aniversário de 32 anos com um banquete antropofágico, no qual o próprio palhaço foi simbolicamente servido como prato principal. A terceira, é a comemoração do Dia do Teatro, que motivou o CMC a convidar grupos teatrais para as festividades e a firmar uma parceria com o Teatro Oficina, que tem brindado o público presente com trechos de suas encenações da obra de Oswald de Andrade e com peças de temáticas indígenas de Villa Lobos. Em 2023, em homenagem à comunidade negra do Largo do Paissandu, o Dia do Circo contou com a participação do grupo de percussão Ilú Obá de Min, grupos circenses e do Teatro Oficina.