A coleção é constituída por documentos institucionais produzidos pela Associação Brasileira de Empresários de Diversões (ABED), fundada em 1977, tendo em 2001 mudado sua denominação para Associação Brasileira de Circo (ABRAC) e, em 2004, conhecida pela sigla ABRACIRCO. Entre esses documentos há mais de quatro mil registros de profissionais, entre trapezistas, acrobatas, malabaristas, cartazistas, mágicos, dançarinas, empresários de circo e de parques de diversões, entre outras atividades circenses. Outro destaque do acervo é o conjunto de cartazetes feitos à mão, que anunciavam a passagem e as missas de sétimo dia de artistas circenses realizadas na Igreja do Rosário dos Homens Pretos (Igreja da Mãe Preta), no Largo do Paissandu.
A coleção se encontra:
classificada;
higienizada parcialmente;
acondicionada parcialmente;
catalogada parcialmente;
digitalizada parcialmente
pesquisa adiantada;
disponível para consulta presencial a partir dos procedimentos internos do CMC
A coleção ABRACIRCO dispõe de 6.189 documentos no nível de acesso 1* e trata da Associação Brasileira de Empresários de Diversões (ABED), que em 2001 mudou de denominação para Associação Brasileira de Circo (ABRAC) e, em 2004, adotou a sigla ABRACIRCO. A instituição atuou também na contratação de artistas circenses por empresários em São Paulo no final do século XX e início do século XXI. Locada no Largo do Paissandú, a associação, seus sócios e presidentes foram parte fundamental dos famosos encontros do “Café dos Artistas”. Integram a coleção 250 documentos iconográficos, 5.868 textuais, 2 fonográficos, 67 documentos tridimensionais e 2 audiovisuais. Esse número é acrescido por duas caixas de acondicionamento que guardam documentos contaminados, em análise e aguardando o tratamento adequado.
Entre os principais temas da coleção está a “Exposição da Selvas do Mato Grosso”, uma exposição itinerante de animais (vivos e embalsamados) com alterações genéticas incomuns e artefatos tradicionais de povos originários brasileiros, organizada pela empresa de diversões Novaes; propostas de admissão e carteirinhas de sócios da ABED; documentos envolvendo o Instituto Nacional de Artes Cênicas (INACEN), a Casa do Ator, a associação Piolin, a empresa de diversões Novaes (de propriedade do vice-presidente da ABED) e o periódico “Artes e Diversões”. Há Também cartazetes anunciando missas e velórios de grandes personalidades do circo brasileiro, documentos textuais e fotográficos referentes a reação da classe circense da época à proibição da presença de animais em espetáculos nos circos, fotografias com registros da família Sbano, do malabarista Bruno Edson, da produtora Bel Toledo, do palhaço Xuxu e do mágico King. Além disso, há 40 documentos sobre a arregimentação de bailarinas com indícios de trabalho escravo e prostituição em território internacional.
A Associação Brasileira de Empresários de Diversões (ABED) foi fundada em 1977, trocou de nome e modificou seu estatuto em 2001, passando a se chamar Associação Brasileira de Circo (ABRAC), e em 2004, adotou a sigla ABRACIRCO.
Durante os primeiros anos do século XXI, não só o conjunto que a instituição ocupava na rua Dom José de Barros, no Largo do Paissandu, mas todo o prédio foi fechado pela municipalidade e o arquivo da instituição ficou guardado em uma sala do prédio por uma década. Em 2008 foi resgatado pela ABRACIRCO, na gestão de José Wilson Moura Leite, e em 2014 foi doado ao CMC na gestão de Camilo Torres. Esse processo teve protagonismo decisivo de Verônica Tamaoki que, com a intenção de ampliar a pesquisa que fazia sobre o Largo do Paissandu naquela ocasião, encontrou o arquivo sob dez anos de poeira. Comprou um aspirador de pó, higienizou e selecionou algumas das fichas para uma exposição. “Foram os primeiros documentos do circo higienizados, pois o CMC só seria inaugurado no ano seguinte”, lembra. Os arquivos foram levados para a sede nova da associação, na rua 24 de maio, e somente em 2014, durante a gestão de Camilo Torres, foram transferidos para o Centro de Memória do Circo. Em 2018 houve a aquisição de um último lote de documentos, cedida pelo então presidente da entidade, José Wilson.
Atualmente o acervo passa por processo de digitalização das fichas cadastrais por ser um manancial precioso sobre a classe circense nas duas últimas décadas do século XX, um verdadeiro censo com dados pessoais dos circenses em atividade no período.
Um levantamento quantitativo das fichas foi feito entre o final de 2024 e meados de 2025 pela equipe do Sou de Circo com a participação dos Jovens Monitores e de uma mestra do circo.
Bibliografia
CEDRAN, Lourdes. Catálogo da exposição O circo, Paço das Artes, 1978.
MILITELLO, Dirce Tangará. Picadeiro. São Paulo: Guarida, 1978.
TAMAOKI, Verônica (Org.). Centro de Memória do Circo. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 2017.
Filmografia
Largo do Paissandu - Onde o circo se encontra. Direção: Marcelo Drummond. Pindorama Circus, 2008, 18:34 min..